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Melissa

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February 08

É... agora já é 2007...

2006 is over. E eu nem vi que o layout e as funções do messenger tinham mudado.
 
Cara, 2006 foi um ano inesquecível. Eu parei de escrever nesse space em junho do ano passado... como é que vou contar tudo que aconteceu depois? Por onde é que eu começo? Acho que dizendo que foi final de uma etapa e agora estou vivendo o início de outra...
 
No segundo semestre de 2006, eu me esforcei. Eu lutei contra a minha própria desorganização. Eu encarei um cursinho à tarde (Associação Pré-UFMG Venda Nova, oh saudade!) junto com a escola. Somando a isso os problemas da Comissão de Formatura. Eu nem acredito que aprendi a cumprir horários, chegar na hora, anotar tudo. Estudar fim de semana, fazer planinhas, ter aula no centro no curso especial mesmo quando estava morrendo de sono. Resolver os exercícios de matemática da apostila, aturar as aulas de matemática, fazer prova no colégio e aguentar encheção de saco por conta da festa no fim do ano. Eu não acredito que fiz isso tudo. Não eu, que sempre fui distraída e desatenta com as coisas.
 
Eu me superei. Aprendi a lidar com dinheiro, a anotar as coisas que tenho que fazer, a continuar estudando mesmo com a cabeça explodindo. Acordei cedo e peguei ônibus lotado, encarei aulas chatérrimas no cursinho e pressões de todos os alunos. E eu ainda estou aqui.
 
Eu surtei. Chorei, descobri que sou mais emotiva do que pensei que fosse. Percebi que eu sou humana também. E que tenho medo como todo mundo e que não é sempre que dá pra dar uma de durona. Eu me aborreci com aulas, gritei, xinguei e falei coisas que devia ter falado a muito tempo. Eu entrei em estado de choque várias vezes, fiquei apática umas tantas outras, senti vontade de não fazer nada e virar uma planta. E depois passou. E veio euforia e veio tudo de novo.
 
Eu descobri que tenho os melhores amigos e a melhor família do mundo. Por mais que eu me sinta alienígena, sei que posso contar com esses terrestres para o que der e vier. Agora eu sei que eles vão estar aí para comemorar e chorar comigo a cada etapa da minha vida. E não só gente de carne e osso não! Gente virtual, que mora em outro país, em outro estado, em outra cidade. Gente que eu nunca vi mas que mora no meu coração. Eles me ajudaram a conquistar tudo que tenho nessa vida.
 
Em 2006 eu também desiludi. Não se pode ser bem-sucedido em tudo. A gente pensa que é uma coisa, depois descobre que é outra e fica aquela sensação de que você gostou de uma coisa criada pela sua própria imaginação. É triste ver que as coisas se repetem mais uma vez e que você não percebeu. É ruim ver ir embora aquela pessoa que você conheceu e amou, alguém que foi consumido por uma loucura, ou simplesmente por preconceitos sociais. Não dá pra ser alegre o tempo inteiro. Algumas coisas a gente não consegue suportar e é melhor que se coloque um fim nesses momentos. Desentoa.
 
Eu senti que posso fazer qualquer coisa, qualquer coisa, desde que eu tenha força de vontade o bastante para tal. Perseguir um sonho, um bom sonho, é ter alimento para nossa vida. Para continuar. Não há nada melhor do que chegar lá depois de muito esforço.
 
Eu venci. Oh céus, eu cheguei lá! Eu passei em oitavo lugar para o curso de Letras da Universidade Federal de Minas de Gerais. Eu nem acredito, sinceramente. Além disso, eu realizei a festa de formatura que lutei o ano todo (tudo bem que houveram problemas mas eles serão solucionados pela Justiça) e consegui manter meus laços de amizade ainda fortes. Sabe, é incrível mesmo. Não tem sensação melhor.
 
2007 promete, eu acho. Novos tempos. Faculdade, responsabilidade e alguns outros "ades" por aí. Dá pra perceber que alguns sentimentos mudaram. Harry Potter vai acabar. Sinal de que a minha adolescência vai ficando para trás. Ow, desde os dez anos lendo esses livros, eu cresci demais com eles. Eu aprendi demais com eles. E agora eles encerram essa etapa da minha vida. Em 2007. Loucura!
 
Esse post ficou mais nostálgico do que eu esperava e também mais "positivo" do que eu esperava. Parece até mensagem pronta! Mas tudo bem, a gente escreve o que tem que escrever.
 
Que venha 2007, então!
July 23

Férias de verdade!

 
Minhas férias de verdade começaram! Até que enfim, porque eu já estava começando a me sentir entediada... Porque apesar de estar assistindo a vários dvds e ouvindo muita música, eu realmente estava precisando sair de casa e fazer algo realmente legal... E o programa de férias finalmente começou!
 
Bem, a grande maioria pode achar chato férias em família, mas bem, eu acho ótimo. Claro que sair com os amigos também é legal, mas eu realmente valorizo as saídas com os meus pais e a minha irmã... a gente se diverte bem! Ontem fomos até a Quinta dos Cristais, um parque ecológico localizado em Sabará, uma famosa cidade histórica daqui de Minas. A paisagem da estrada já vai dando idéia de onde você está chegando... Apesar do bairro bem humilde que é caminho do lugar, o carro passa em ruas super estreitas, meio beira de morro onde você pode ver o vale todo da janela!!!!!! E parece que vai cair!!!!!! Muito bonito mesmo! Chegando no parque, damos de cara com um restaurante que é muito engraçadinho. Uma casa construída de pau-a-pique bem temática, com quadro em todas as paredes, música ao vivo, até piano tem! Realmente, um lugar lindo para se comer, se não fosse é claro, o fato de que é super caro! Eu fiquei besta com o preço. Tudo bem que é comida mineira em fogão de lenha mas... putz! Mas se bem que em cidades que sobrevivem do turismo os preços são sempre assim...
 
De qualque forma, comida não foi problema já que a gente tinha levado tudo para fazer um piquiniqui. O parque é imenso e existem várias trilhas, nós fizemos a Trilha da Aventura, que é uma trilha de nível não completamente exaustivo. Eu digo não completamente porque a gente sobe, sobe, sobe, sobe, sobe até chegar no 890m de altitude! Andando um km! Nossa, a trilha é realmente muito boa, porque vemos exatamente a transição da Mata Atlântica para o Cerrado! O clima, que começa bem úmido e fresco, num caminho que acompanha a nascente de um pequeno rio, acaba se tornando quente e seco à medida que subimos, entrando no clássico cerradão mineiro. E de uma hora pra outra! De repente você sobe e... ué, cadê o ar fresco e as árvores grandes? É chegando no cerrado que o caminho fica difícil, muito mais inclinada e mais propenso a escorregadas. Era realmente cômico ver minha mãe subindo o morro! Muito divertido! A Jéssica chegou a passar mal com o calor e finalmente, chegamos no final da trilha que dá pra Pirâmide Energética de Sabará.
 
A Pirâmide é uma armação em aço num descampado, no ponto mais alto do parque e tem as mesmas proporção da pirâmide de Quéops, no Egito. Infelizmente, o lugar foi vitimado pelos vândalos, mas mesmo assim é bem legal ver. A vista que se tem lá de cima é de tirar o fôlego! Dá pra ver a Serra do Curral (serra onde está Belo Horizonte), a Serra da Moeda, a Serra da Piedade e a Serra de Sabará, tudo isso num vale maravilhoso! Do alto do mirante até parece que a gente pode voar... realmente, sensação impressionante.
 
Dizem que a pirâmide tem "poderes" energéticos e que meditar lá alivia o estresse, a irritação e problemas como dores de cabeça e etc. Então, fomos todos meditar. É realmente gostoso não pensar em nada, tentar entrar em contato com a natureza e os bons espíritos no alto da Serra... muito, muito bom, te dá um alívio no coração... A foto aí embaixo, sou eu ´meditando´ embaixo da pirâmide, mas quando meu pai foi tirar a foto eu comecei a rir então... mas vale só pela vista que tem no fundo.
 
 
Pra voltar, tem que se fazer um outro caminho, porque a Trilha da Aventura é só de ida. Então a gente voltou por uma trilha bem chata, que dá até pra passar carro. Eu não gostei, achei muito enjoada e escorregadia porque tem muito cascalho... Levei dois tombos feios e uns outros vinte escorregões e meu pai ficou querendo tirar foto da minha calça toda suja! hahahahahahaha.
 
O fim da trilha dá no restaurante. Eu e a Jéssica tentando nos lavar no banheiro e tentar tirar a terra fina que ficou presa em nossos cabelos e roupas, mas não deu muito certo. Entramos no carro e fizemos o caminho de volta para o centro histórico de Sabará.
 
Sabará fazia parte do Ciclo do Ouro, então tem todas aquelas igrejas barrocas, a rua Direita, museus, teatros antigos, bicas de água, praças no estilo antigo... Muito bonito mesmo. Dá até vontade de comprar aqueles casarões velhos e morar lá. A gente ia até fazer umas visitas nos museus, mas estávamos muito cansados e resolvemos voltar pra casa.
 
Nossa, a visita à Quinta dos Cristais, vale muito a pena, é um lugar muito bonito e realmente, faz a gente entrar em sintonia com as boas coisas. Não é a toa que lá tem a frase no caminho:
 
 
Cara, eu adoro Minas!
 
 
July 16

Férias...

Eu estou de férias agora e não posso negar que estou me sentindo realmente feliz com isso. Nos últimos dias de prova eu pirei, sério mesmo, chorei, gritei, falei que não aguentava mais a pressão que todos faziam em cima de mim... e bem, agora que estou meio que "de pernas pro ar" percebi que eu mesma estava me cobrando muito. Querendo notas altas, querendo passar no vestibular, querendo resolver tudo de uma pra outra, querendo o escambau! E agora que estou de férias, que tive tempo para pensar sobre o assunto, acho que vou conseguir relaxar. O primeiro passo para relaxar é saber que você não dá conta de tudo, não é mesmo?
 
Então, relaxar. Na última semana até que consegui fazer isso. Sabe o que é viver de ouvir música e assistir TV? Isso é bom para desanuviar a cabeça. Até consegui escrever alguma coisa! Pois é, adiantei o capítulo oito de "Ilusórios" e ainda um pouco da fic que estou escrevendo para o challenge de filmes. Até consegui o terceiro lugar no desafio de SongFics Românticas do 3V! Eu fiquei tão feliz com isso! Sei lá, eu não costumo escrever coisas essencialmente românticas (sempre estão disfarçadas numa atmosfera cômica), talvez porque eu tenha criado uma barreira anti-romance em mim. Então, ganhar o bronze nesse challenge foi realmente importante pra mim porque eu coloquei naquela fic muita coisa do que eu estava passando no momento, então foi meio que um desabafo sobre um relacionamento que foi se desmonorando aos poucos... Tá, a história da fic não é necessariamente a adaptação do que aconteceu comigo, mas os diálogos, os sentimentos ali, são exatamente os que eu vivi, talvez com finais e propósitos diferentes, mas ainda estão ali. Eu fiquei satisfeita com o que escrevi. A fic se chama "Perfect" e é baseada na música do Smashing Pumpkins, uma banda que eu aprendi a gostar e reverenciar.
 
Ontem, teve gravação do nosso filme (aquele pro trabalho de história) e pra relaxar, depois fomos no cinema. Posso dizer que escolhemos mal o filme. Fomos ver "O Libertino", com o Johnny Depp e bem, realmente, não é um filme muito light... A galera não gostou e eu, pessoalmente, também não gostei muito porque acho que faltou alguma coisa, mas acho que a história é meio que o retrato de uma época. Inglaterra de 1660, tempo dos teatros e crise do Parlamento com a Coroa... Mostra de um jeito bem cru a realidade deles. Londres era horrível! Cidade feia, suja, quase podre. As pessoas (inclusive os ricos) todos muito sujos, todo mundo falando palavrão, promiscuidade e etc. O personagem principal, o conde de Rochester, era o mais escandaloso de todos. O discurso dele no começo do filme faz você querer ir pra outra sala assistir "Os sem floresta" ou qualquer outra coisa mais feliz...
 
Estou lendo também o volume quatro de "A Torre Negra" do Stephen King. E bem, até agora o terceiro é o meu favorito. O Volume I (O Pistoleiro) desanima bastante, o dois (A Escolha dos Três) tem tanto palavrão que é irritante ler (sim, eu realmente não gosto de palavrão rs) e o três (Terras Desvastadas), bem, o três é perfeito! Sensacional! Os personagens atingem uma naturalidade quase paupável e o tormento de Roland, o personagem principal, é incrivelmente real. Até peguei uma referência para compor o meu Harry de "Ilusórios". O quarto volume (Mago e Vidro) tá indo num ritmo muito lento e bem, até agora não me fez a cabeça. Espero que melhore.
 
De música estou ouvindo muito Green Day. Ah, é a vida. Estou conhecendo um pouco mais de Radiohead (que eu acho simplesmente maravilhoso.... todas aquelas músicas tristes) e adorando o Smashing Pumpkins. Estou meio de briga com My Chemical Romance agora que o Gerard pintou o cabelo de loiro... brincadeira. Mas minha obcessão por eles sossegou um pouco.
 
Então, é isso. Espero que essas férias sejam realmente produtivas. Ou não.
June 25

Mostra de Profissões 2006

Segunda, terça e quarta-feira foram os dias da Mostra de Profissões UFMG 2006. Pra quem não sabe, a UFMG é a universidade federal daqui de Minas e como a maioria das universidades federais, todo ano tem uma feira com palestras e salas interativas para quem quer saber mais sobre o curso que quer fazer além de saber sobre mercado de trabalho e possibilidades de emprego. Enfim, feira clássica de profissões.

Na segunda, logo depois do feriadão, eu cheguei morta de sono no meu colégio e a professora de português veio dar o aviso de que os alunos do terceiro ano iriam até a feira das profissões UFMG. Uhu! Que feliz! Com o professor de matemática e de física - nem tão feliz - e a pé - agora sim, ninguém estava feliz. Bem, a UFMG não é exatamente longe do meu colégio mas seguir a pé... por dentro daquele campus enorme... ninguém merece! Fui o caminho todo enchendo o saco do Matheus - um doido amigo meu - e da Mayara, coitada. A gente tava tentando arrumar um curso pra ela... porque a guria não tem nem idéia do que quer fazer.

Chegando na feira, descobrimos que o lugar só abria às nove e nem oito horas eram. Daí ficamos todos esperando e pegando os roteiros pra ver a palestra que iríamos assistir e tudo mais. Quando deu nove horas, a turma toda se dividiu. Mayara foi ver palestra de Comunicação Social e Artes Cênicas, Matheus as de Engenharia e eu fui com Sheila, Bruno e Izabella pro prédio do ICEx (Instituto de Ciências Exatas). Gente, sem noção aquele lugar! O prédio é gigaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaante! Eu não conseguia acreditar que existia tanta gente que queria fazer ciências exatas! Eu olhava o nome dos departamentos (de Física, de Matemática Avançada, de Ciências Contábeis, de Estatística, de Física II) e ficava louca. O quadro de avisos... sem noção! Só data de prova, quadro de matérias com nomes impronunciáveis... Na hora eu decidi que realmente, eu não queria nada daquilo.

O problema de ir em feira logo no primeiro dia é que nada está pronto. As salas ainda estavam sendo montadas, as palestras atrasaram e a gente mais esperou do que viu qualquer coisa. Acabou que eu fiquei sozinha. O Bruno foi ver palestra de Agronomia, a Sheila de Nutrição e a Izabella de Administração. Ah, e toda hora eu topava  com uma Thayná doidona que ficava gritando que Medicina Veterinária era o melhor curso de todas... ai ai. Acabou que fui ver a palestra de 9h ás 10h. História. Bem, eu gostei. Achei interessante e tudo mais. Mas... sei lá, acho que era mais curiosidade do que qualquer coisa. Pra variar, não tinha palestra de Letras, o cara tinha sofrido um acidente... Fui ver uma sala interativa de Letras e bem, estava fechada. Vai ver é carma do curso. Lembrei então que a Lu (minha amiga que não estuda no meu colégio) queria fazer Comunicação Social e eu quis pegar um panfleto pra ela. Não sei como, mas eu entrei na sala de Ciências Sociais ao invés de Comunicação Social e bem, eu adorei! Um cara muito simpático me explicou o curso e disse que era dividido em: Antropologia e Arqueologia; Sociologia; e Relações Internacionais (lembrei na hora da Amanda). E realmente, o curso parece que desperta um interesse absurdo. O cara que me explicou as coisas fazia Relações Internacionais, trabalhando com minoriais e talz, muito interessante. Só que tive de sair da sala mais rápido do que gostaria porque o professor já estava indo embora. A gente só ficou duas horas na feira e não deu pra ver quase nada.

Chegando na praça onde tínhamos combinado de ir embora descobrimos que o professor já tinha ido embora. Sensacional! Voltamos sozinhos, eu, Bruno, Sheila, Mayara, Thayná (que continuava fazendo fita por conta da Medicina Veterinária) e o Guilherme (um garoto estranho da minha sala que a gente encontrou no meio do caminho, perdido). Todo mundo ficou puto porque o professor foi embora sem esperar a turma inteira se reunir, ainda mais porque a gente ia a pé. E querendo ou não, ninguém sabia que a gente tava lá, só o colégio mesmo, então se acontecesse alguma coisa... Enfim, meu colégio é o antro da desorganização.

Terça-feira chegou e a gente resolveu voltar lá na feira, passar a tarde lá e olhar tudo com mais calma. Fomos eu, Mayara (que continuava sem saber que curso fazer), Patrícia (uma guria da outra sala do terceiro ano), Paula e Bruno. Lá a gente encontrou com metade do colégio (que tinha matado aula de manhã pra ir na feira - não que eles tivessem interesse na feira), com amgios de fora (a Lu!) e com Matheus e Eduardo. Bem, fomos comer. Cantina do ICEx (eu ficava cada vez mais assustada com o prédio) totalmente lotado! Céus, fiquei meia hora na fila para conseguir comer! O segundo dia da feira tava entupido de gente, mal dava pra andar nos corredores. E bem, tinha gente lá como fui mais tarde reparar, que não estava nem aí pra feira, estava lá pra ficar o que eu realmente achei idiota, ir pra uma feira de profissões com o único objetivo de dar uns garros. Deve ser gente desesperada. Não é possível. Okay, eu confesso que deu uns olhares pros caras bonitões que estavam lá (não poucos) but... enfim, gente desesperada.

Fui ver a palestra de Biblioteconomia com a Mayara. Quase dormi. Muito chato. A mulher era até simpática mas o curso não me interessou nem um pouco. Saímos da sala e vi o horário: palestra de Ciências Sociais (que eu tinha adorado) no mesmo horário que a de Letras. Falei com a May pra ir na de Ciências que ia na de Letras. Entrei na sala e levou um susto: um monte de gente. Tinha gente no chão, em pé no fundo, na porta! Nunca pensei que teria tanta gente pra ver palestra de Letras. E bem, tinha homem (tá, tudo bem, talvez eu seja um tantinho desesperada - mas é que não sou de ferro). O cara que deu a palestra foi o coordenador do curso, um cara muito simpático mesmo. Ele explicava tudo com uma facilidade absurda e ainda era divertido e fez todos prometerem que se cursassem Letras, não iam fazer mais de 10 matérias (ele disse que os estudantes costumavam fazer 14 e pirar no final do curso). Bem, amei tudo que ele disse. Realmente, é o curso da minha vida. Não tem como. Mesmo tendo sentido uma pontinha pra Ciências Sociais, Letras ganhou disparado.

Saí da palestra daquele jeito mais feliz. Esperei a Mayara sair da palestra de Ciências Sociais e bem, ela gostou. Fomos juntas para ver as salas interativas. A de Letras estava aberta. Três carinhas (um deles bem bonitinho rs) estavam explicando sobre o curso. Fiz um zilhão de perguntas. Perguntei de matérias, de professores, horários, bacherelado, licenciatura, vantagens, desvantagens, tudo. E adorei tudo que eles falaram. O que gostei na mostra em geral, é que eles disseram o lado ruim das coisas. Por exemplo, Letras é um curso que ainda sofre um certo tipo de preconceito pelas outras pessoas que acham que é um curso fácil, que não precisa de estudo. O carinha me disse que o curso talvez passe a se chamar Ciências Linguísticas num futuro próximo. A Mayara coitada, ficou esperando eu terminar o questionário. Meia hora depois eu saí de lá quase arrastada pelo Bruno que tinha chegado e queria ir ver a sala de Zootecnia.

Andamos muito, nossa demais. Visitamos todos as salas. Até salas que não tinham nada haver com a gente, tipo Engenharia de Minas, Geologia, Arquitetura e Urbanismo... Pegamos todos os panfletos e enchemos o saco dos estudantes que estavam para dar explicação nas salas interativas.

Quando todo mundo se encontrou pra ir embora foi confusão: todo mundo querendo falar o que tinha visto de mais interessante e querendo contar do seu curso. Falar que o curso tinha matéria interdisciplinar (na verdade, todos os cursos da UFMG são interdisciplinares, só que todo mundo dizia que seu curso era ainda mais interdisciplinar), que tinha matérias optativas, estágios remunerados... Foi bem legal. Até a Mayara acabou tendo uma idéia melhor do que quer fazer.

Com certeza o segundo dia foi melhor que o primeiro, e valeu total a pena. Até para eu me entusiasmar um pouco mais com essa coisa de vestibular. Já até separei o dinheiro para fazer a matrícula num cursinho pré-vestibular e fiz um simulado que comprei lá na UFMG (um real) e fiz 73 pontos, o que me passaria em Letras. Acho que esse tipo de mostra é bem sincero, porque além de falar com os coordenadores a gente fala com os próprios estudantes que contam os "podres" do curso. Mesmo tendo tido que voltar pra casa tarde, num ônibus lotado e com os pés cheios de bolhas, valeu a pena. Nem que tenha sido pra zuar um pouquinho também. ;)

June 01

Senhora

Acabei de ler “Senhora” e acho que preciso fazer algumas considerações sobre a história.

 

Em primeiro lugar, é um livro romântico da primeira à última linha. Todas aquelas características do romantismo (fase literária) estão altamente presentes nesse livro. Idealização do amor, culto à natureza, individualismo, escapismo, saudosismo e mais todos aqueles –ismo essencialmente vibrantes e quase irreais. O vocabulário é carregado, altamente detalhista, se preocupando com coisas mínimas como cores da cortina, renda do vestido, olhos mimosos e por aí vai... Aurélia, a protagonista, é quase uma Mary Sue de tanta bondade e beleza. Dá até raiva dela, de tanta babação... Mas apesar disso, o livro é realmente maravilhoso.

 

“Senhora” é um romance urbano de José de Alencar, retratando a sociedade do Rio de Janeiro da época (lá pelos idos de mil oitocentos e cinqüenta e tantos). O tema abordado é o casamento por interesse. O que era para ser uma historinha cheia de lágrimas sofridas e castas acabou se tornando uma ótima análise crítica social. Sim. Isso mesmo. Apesar de ser um romance clássico, o livro tem um pezinho na análise psicológica e na crítica.

 

A história começa com Aurélia Camargo, dama linda de morrer, com coração de ouro, cobiçada por todos os homens e invejada por todas as mulheres. Aurélia era pobre, mas recebera herança do avô, ficando assim milionária. O deslanche de tudo acontece quando ela decide se casar com Fernando Seixas, um ex-namorado seu. Para conseguir seu intento, Aurélia literalmente compra Seixas por cem mil contos de réis (vinte mil adiantados). O casamento fora premeditado, Aurélia queria aparentemente se vingar de Seixas, pois ele a deixara no passado (quando esta era pobre) por uma mulher de dote maior. Seixas, que até então pensara que Aurélia o perdoara, fica atordoado na noite de núpcias quando sua noiva conta todo seu plano e diz: “E resigne-se cada um ao que é, eu, uma mulher traída; o senhor, um homem vendido”. Uh! O que Aurélia não esperava é que Seixas usasse uma estratégia ainda mais inteligente que a dela: passa a trata-la com pura indiferença. Já casados, os dois vivem de representação, sendo frios um com o outro, mal se tolerando enquanto o resto da sociedade do Rio pensam que são o casal mais feliz do mundo. O interessante é que os dois se amam, mas o orgulho não deixa que sejam felizes. Seixas, alegando ser seu escravo, a chama de senhora, daí o nome do livro.

 

O que me chamou a atenção foi o desenvolvimento das personagens ao longo da trama. Aurélia, inicialmente apresentada como moça recatada e perfeita, praticamente uma santa em seu altar na rua das Laranjeiras, consegue se mostrar fria e calculista ao comprar um marido. O que inicialmente espanta e parece contradizer a moral da personagem é logo explicado na segunda parte do livro, onde ficamos sabendo que Aurélia, de família muito pobre, fora rejeitada por Seixas em troca de uma mulher mais rica, Adelaide. O que espanta, é que Aurélia inicialmente não se sente magoada com a troca, pois acreditava que Seixas realmente amasse Adelaide, mas quando descobre que ele havia ficado noivo por causa do dinheiro, se revolta. “Sofrera com resignação e indiferença, o desdém e o abandono; mas o rebaixamento do homem, a quem amava, era suplício infindo, de que só podem fazer idéias os que já sentiram apagaram-se os lumes d’alma, ficando-lhes a inanimidade”. A meu ver, Aurélia era mais orgulhosa que santa. Podia entender perfeitamente que Seixas não a amava, mas não era capaz de suportar o fato de amar alguém que não merecia. Foi esse o motor de sua posterior vingança.

 

Por outro lado, Fernando Seixas era alguém que não se importava tanto com orgulho. Mesmo sendo de família pobre, fora sempre dado às aparências, às festas e às coisas de grife. A culpa disso é das irmãs e da mãe, que o mimaram desde criança, privando-se de conforto para dar a ele uma vida de salões. Se bem que era o cúmulo ele aceitar isso. Gastar uma fortuna com suas coisas, enquanto o resto da família passava por necessidade. É um exemplo de “o meio forma o indivíduo”. Seixas foi moldado dessa forma, e por ser conveniente para ele, não questionava. Um quê de realismo-naturalismo num livro romântico. O tapa na cara que ele recebe, o primeiro solavanco de sua vida que o faz acordar é o discurso de Aurélia, quando ela diz com todo gosto que ele se deixou comprar (por um preço baixo) e que agora era um mero objeto da casa. A meu ver, nesse momento ele passou a questionar sua vida leviana de antes e uma verdadeira mudança se operou nele, de verdade. Por isso tratou Aurélia com polidez e indiferença enquanto juntava dinheiro para se comprar de volta. Porque ele se julgava uma peça da mobília, um mero escravo que precisava de alforria.

 

Mesmo se controlando e devolvendo a indiferença na mesma moeda, acho que Aurélia levou um baita susto com a reação de Seixas. Acho que ela devia ter esperado que ele aceitasse, julgando que ele fosse tão leviano a ponto de nem ligar se tinha sido comprado ou não. O orgulho ferido de Seixas é o que despertou nela o amor que tinha por ele, que tinha adormecido. Fez com que ele, digamos, subisse um degrauzinho no altar dela. Por outro lado, Seixas se vê um homem novo, muito mais ponderado e maduro, que sabe resistir às tentações, o que inclui seu amor por Aurélia.

 

A meu ver, o livro inteiro é uma crítica à sociedade da época que valorizava a riqueza e as aparências. Afinal de contas, a infelicidade (tanto dos personagens principais quanto dos mais secundários – vide Abreu, Torquato Ribeiro e as irmãs Seixas) é inteiramente devida a uma falsa idéia de ostentação, é a ruína de todos. Se desde o início, todos tivessem seguido valores mais verdadeiros, nada daquilo teria acontecido.

 

A história, lógico, teve um lindo final feliz com uma pontinha de moralismo, mas se não fosse assim, não seria romantismo, não é mesmo?

 

 

 
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